Consulta Pública sobre transporte coletivo de São José registra 202 contribuições

A consulta pública que discute a reformulação do transporte coletivo urbano de São José chega ao fim no sábado (19) com 202 contribuições registradas até esta quinta-feira (17). Aberto pela Prefeitura em agosto, o espaço recebe sugestões, críticas e propostas de moradores, passageiros e demais interessados no futuro do sistema.

A participação dos usuários integra os estudos que vão orientar a elaboração da futura licitação do transporte coletivo municipal. Desde o início da consulta, a média é de aproximadamente 7,5 manifestações por dia. O maior volume foi registrado em 10 de setembro, quando 31 pessoas participaram.

Entre as principais propostas em análise está a ampliação da rede municipal. O modelo preliminar prevê a possibilidade de elevar de sete para até 17 o número de linhas, o que representaria um crescimento de cerca de 143%. A intenção é aumentar a cobertura do serviço e oferecer novas alternativas de deslocamento dentro do município.

Modelo prevê novos itinerários e integração

Atualmente, São José conta com sete linhas municipais e uma frota de 20 ônibus, administrada por três empresas. Para a futura concessão, os estudos trabalham inicialmente com até 17 linhas e 30 veículos. Os parâmetros ainda podem sofrer alterações após a análise das contribuições recebidas durante o processo.

A proposta inclui a criação de linhas circulares e expressas, além de pontos de integração em locais considerados estratégicos. Entre os trajetos avaliados estão as linhas 551 e 552, que fariam a ligação circular entre Potecas e Kobrasol, e as linhas 661 e 662, previstas para conectar Forquilhas e Kobrasol nos sentidos horário e anti-horário.

Também estão sendo analisadas alternativas de trajeto pela Avenida Presidente Kennedy e pela Beira-Mar de São José. Outra possibilidade é a implantação de integração temporal, permitindo ao passageiro realizar conexões entre diferentes linhas dentro de um intervalo previamente estabelecido.

O projeto ainda prevê medidas voltadas à melhoria da operação e ao acompanhamento da bilhetagem.

Pesquisas orientam proposta para o novo sistema

A modelagem em discussão foi elaborada pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), com suporte técnico do LabTrans/UFSC. O trabalho levou em consideração dados coletados durante os meses de junho e julho de 2025.

Entre as pesquisas realizadas está o levantamento de Origem e Destino, que ouviu 902 moradores em suas residências. Também foi feita uma pesquisa de Embarque e Desembarque diretamente nos ônibus, além de outras etapas destinadas a identificar o perfil dos usuários e as necessidades de mobilidade da cidade.

Os documentos disponíveis para consulta estão divididos em seis produtos, que abrangem desde o planejamento das pesquisas e o diagnóstico do transporte atual até a estruturação da futura concessão, o estudo econômico-financeiro e o termo de referência para o edital.

Segundo a secretária de Segurança, Defesa Social e Trânsito, Andréa Luiza Grando, a participação dos moradores é importante para adequar o projeto às necessidades da população.

São José possui atualmente cerca de 150 mil passageiros por mês no transporte coletivo municipal. O serviço funciona, em geral, das 5h30 às 22h30. Para a Prefeitura, o crescimento populacional e a expansão urbana registrados nos últimos anos aumentaram a necessidade de atualização da rede, cuja última revisão formal ocorreu em 2008.

O município também participa de debates sobre a integração do transporte na Grande Florianópolis, buscando alternativas para melhorar a conexão entre São José e as cidades da região metropolitana.

Sugestões poderão alterar proposta

As manifestações recebidas nesta primeira consulta serão avaliadas pela equipe responsável pelo projeto. A análise poderá levar a mudanças na modelagem que será utilizada como base para a futura licitação.

A Prefeitura ressalta que as contribuições não representam compromisso de adoção das sugestões apresentadas, nem garantem a manutenção de todos os elementos previstos atualmente no modelo.

Depois desta primeira fase, a previsão é abrir uma segunda consulta pública, com duração de 30 dias. Nessa etapa, deverão ser apresentadas as contribuições recebidas e as alterações eventualmente incorporadas ao projeto.

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