Avaí recebe proposta de R$ 400 milhões por 90% das ações da SAF, mas histórico da Kactus Capital gera questionamentos

O Avaí deu mais um passo no processo de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O presidente do clube, Bernardo Pessi, anunciou nesta terça-feira (23) uma proposta da Kactus Capital para aquisição de 90% das ações da SAF avaiana, em um negócio estimado em mais de R$ 400 milhões.

A oferta será submetida ao Conselho Deliberativo no próximo dia 30 de junho e, caso receba aprovação, ainda precisará passar pelo crivo dos sócios do clube antes de ser oficialmente homologada.

Segundo a diretoria, a proposta prevê a quitação integral das dívidas do Avaí, atualmente estimadas em cerca de R$ 290 milhões. O restante dos recursos seria destinado ao futebol profissional, categorias de base e melhorias estruturais.

O plano apresentado prevê R$ 75 milhões para investimentos esportivos, R$ 20 milhões para a formação de atletas e outros R$ 5 milhões voltados à infraestrutura, incluindo estádio e centro de treinamento. A empresa também promete assumir custos operacionais do clube e estabelecer folhas salariais mínimas para as disputas das Séries A e B.

Apesar dos números expressivos apresentados pela diretoria, a proposta chega cercada de cautela. Isso porque a Kactus Capital é a mesma empresa que recentemente participou das negociações para aquisição da SAF do Figueirense. Na ocasião, o grupo apresentou um projeto de investimento para o clube alvinegro e chegou a firmar acordos preliminares durante o processo de diligência. No entanto, a negociação enfrentou resistência dentro do clube pela própria torcida, levantando questionamentos relacionados à estrutura financeira da operação, às garantias oferecidas e à composição do grupo investidor.

No caso do Avaí, a diretoria destaca que o contrato prevê mecanismos de proteção institucional, incluindo poder de veto em decisões relacionadas à identidade do clube, preservação do patrimônio, participação garantida no conselho de administração e restrições para futuras negociações com novos investidores.

Entre as salvaguardas anunciadas estão a manutenção da Ressacada e do centro de treinamento como patrimônio protegido do clube, além do direito de veto sobre alterações em símbolos históricos, como nome, cores, hino e sede.

A votação do dia 30 poderá representar uma das decisões mais importantes da história recente do Avaí. Ao mesmo tempo em que a proposta surge como alternativa para equacionar a grave situação financeira do clube, o debate sobre as garantias efetivas do negócio e o perfil dos investidores promete ocupar o centro das discussões entre conselheiros e torcedores nas próximas semanas.

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