A coligação Brasil Pronto pra Mais, que reúne partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou neste sábado (17) a Organização das Nações Unidas (ONU), a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e a Polícia Federal (PF) para solicitar a investigação de possíveis vantagens à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na distribuição de conteúdos pelas plataformas da Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp.
A representação aponta supostas diferenças no alcance de publicações, nas recomendações de perfis e no funcionamento da ferramenta de inteligência artificial da empresa. Segundo levantamento apresentado pela coligação, entre 1º de setembro e 14 de outubro, os vídeos de Flávio registraram média de 6,68 milhões de visualizações, enquanto os de Lula alcançaram 4,81 milhões.
O grupo estima que a diferença represente 348,5 milhões de visualizações adicionais para o candidato do PL. Em uma projeção baseada nos valores de publicidade digital, esse alcance corresponderia a aproximadamente R$ 7,44 milhões. A coligação ressalta que se trata de uma estimativa econômica, e não de comprovação de repasse financeiro pela empresa.
Outro ponto questionado envolve possíveis diferenças nos sistemas de busca e recomendação das plataformas, além de respostas da Meta AI a solicitações de conteúdos de propaganda eleitoral.
Com as medidas, a coligação pede que os órgãos competentes apurem os episódios e verifiquem se houve concessão de benefícios econômicos não declarados à campanha de Flávio Bolsonaro.
A Meta, por sua vez, atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas e negou interferência deliberada no processo eleitoral. Até o momento, as suspeitas apresentadas pela coligação dependem de investigação e não representam comprovação de irregularidade por parte da campanha ou da plataforma.



