TRE-SC abre urna eletrônica ao vivo e apresenta mecanismos de segurança do sistema de votação

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) realizou, na última segunda-feira (3), uma demonstração inédita no estado sobre o funcionamento interno da urna eletrônica. Durante o evento “Conheça a Urna Eletrônica por Dentro”, o equipamento foi desmontado ao vivo, permitindo que jornalistas e profissionais da área de tecnologia acompanhassem de perto seus componentes e os mecanismos utilizados para garantir a segurança do voto.

A atividade ocorreu na sede do TRE-SC e fez parte da primeira Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, iniciativa promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em diferentes regiões do país. A programação tem como objetivo ampliar o conhecimento da sociedade sobre as etapas do processo eleitoral, além de apresentar os mecanismos de transparência e auditoria utilizados pela Justiça Eleitoral.

Na abertura do encontro, o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, destacou a importância de levar informações técnicas ao público como forma de ampliar a confiança no processo eleitoral.

Segundo ele, o acesso a informações qualificadas sobre o funcionamento da urna é uma ferramenta importante para combater conteúdos falsos relacionados ao sistema eletrônico de votação. O magistrado também ressaltou que a proteção da escolha feita pelo eleitor está entre as principais responsabilidades da Justiça Eleitoral.

Carlos Roberto da Silva também relembrou sua experiência como juiz eleitoral em um período em que a votação ainda era realizada por meio de cédulas de papel. Ele destacou as mudanças provocadas pela informatização das eleições brasileiras.

O diretor-geral do TRE-SC, Gonsalo Ribeiro, também abordou essa transformação. Para ele, a substituição das cédulas e da apuração manual representou uma mudança significativa no processo eleitoral, especialmente em relação à velocidade da divulgação dos resultados.

Segurança em diferentes etapas

Durante a apresentação, o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-SC, Samuel Fernandes Ribeiro, explicou aos participantes como a segurança do sistema é estruturada. De acordo com ele, existem diferentes mecanismos de proteção distribuídos ao longo de todo o processo, desde a fabricação do equipamento até a totalização dos votos.

As medidas envolvem quatro áreas principais: componentes físicos da urna, programas utilizados no equipamento, percurso do voto e processo de totalização.

Samuel explicou que o desenvolvimento da urna começa antes mesmo da produção do equipamento, seguindo especificações técnicas que estabelecem características da arquitetura, dos sistemas utilizados e dos mecanismos de criptografia.

Outro ponto destacado durante a demonstração foi que a urna eletrônica não possui conexão com a internet. O software utilizado nas eleições é desenvolvido pela equipe técnica do TSE e conta com mecanismos de criptografia destinados a preservar a integridade das informações e o sigilo da escolha do eleitor.

Como os votos são registrados

Entre os mecanismos apresentados está o Registro Digital do Voto (RDV), responsável por armazenar informações relacionadas aos votos registrados no equipamento.

O sistema permite contabilizar a quantidade de votos sem estabelecer uma ligação entre cada escolha e a identidade do eleitor. Dessa maneira, a identificação de quem votou não fica associada ao candidato ou à opção escolhida, preservando o sigilo do voto.

A segurança também envolve mecanismos próprios de identificação de cada urna. Conforme a explicação apresentada no evento, os equipamentos possuem códigos específicos que permitem sua validação pelo TSE durante o processo de totalização.

Esse procedimento também é utilizado quando ocorre alguma situação que exige a substituição de uma urna durante a votação. Nesses casos, o equipamento utilizado na continuidade do pleito é identificado no sistema para que os votos registrados nas diferentes urnas sejam considerados na totalização.

Urna danificada em 2018 também foi apresentada

Uma das peças exibidas durante o evento foi uma urna eletrônica que sofreu um ataque físico durante as Eleições de 2018. O equipamento ficou conhecido após um eleitor, apelidado de “Thor”, danificar parte de sua estrutura utilizando uma marreta.

Apesar dos danos ao teclado e à parte externa, os componentes responsáveis pelo armazenamento das informações eleitorais não foram atingidos. Dessa forma, os votos registrados antes do incidente permaneceram armazenados.

Após o episódio, o equipamento foi substituído e os procedimentos de contingência foram adotados para garantir a continuidade da votação e o aproveitamento dos registros já realizados.

Além dessa urna, o TRE-SC colocou à disposição dos participantes uma urna utilizada para treinamento e outro equipamento lacrado, que foi aberto durante a própria demonstração.

Desmontagem mostrou componentes do equipamento

A abertura da urna foi conduzida por João Sebastião de Andrade, assessor técnico eleitoral e de voto informatizado do TRE-SC. O procedimento começou com a retirada da caixa utilizada para o transporte e avançou pela remoção dos parafusos, tela, placas e demais componentes internos.

A cada etapa, servidores da Justiça Eleitoral explicavam a função das peças e os mecanismos de proteção associados ao equipamento.

A demonstração permitiu aos participantes visualizar a estrutura física da urna e compreender como os diferentes elementos trabalham em conjunto dentro do sistema eletrônico de votação.

Boletim de Urna reforça transparência

Outro ponto apresentado durante o encontro foi o Boletim de Urna (BU), documento emitido ao término da votação em cada seção eleitoral.

De acordo com o coordenador de Eleições do TRE-SC, Paulo Dionísio Fernandes, são emitidas obrigatoriamente cinco vias do documento, número que pode chegar a dez conforme a necessidade da seção.

O boletim apresenta os resultados registrados naquela urna e constitui uma das ferramentas utilizadas para conferir e acompanhar a apuração.

Para as Eleições 2026, também foi anunciada uma nova possibilidade de participação dos eleitores no encerramento da votação. Os dois últimos eleitores presentes na seção serão convidados a acompanhar o procedimento de encerramento e poderão receber uma via do Boletim de Urna.

A iniciativa apresentada pelo TRE-SC busca ampliar o acesso da população às informações sobre o funcionamento da votação eletrônica e demonstrar, de forma prática, os mecanismos empregados para garantir segurança, sigilo, integridade e possibilidade de auditoria do processo eleitoral.

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