O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu cancelar o visto diplomático concedido ao consultor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie. Ele pretendia viajar ao Brasil para participar de um evento sobre minerais críticos e, posteriormente, visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
Mais cedo, Lula afirmou que Beattie foi proibido de entrar no país. O presidente também criticou o fato de autoridades brasileiras terem tido seus vistos revogados no ano passado para participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Entre os casos citados por Lula estão o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de familiares dele.
Segundo Lula, a decisão foi uma resposta direta a esse episódio. Ele declarou que não autorizaria a entrada do representante americano enquanto a situação envolvendo o ministro brasileiro não fosse resolvida.
De acordo com o governo brasileiro, Beattie teria omitido o real objetivo da viagem ao solicitar o visto. Inicialmente, o consultor informou ao Consulado do Brasil em Washington que participaria de um fórum sobre minerais críticos e teria reuniões oficiais com integrantes do governo brasileiro.
No entanto, segundo o Itamaraty, essas reuniões não estavam agendadas no momento do pedido. Após a concessão do visto, a defesa de Jair Bolsonaro comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a intenção de que Beattie visitasse o ex-presidente na prisão, o que levantou suspeitas dentro do governo brasileiro.
O ministro Alexandre de Moraes solicitou parecer do Ministério das Relações Exteriores sobre o caso. O chanceler Mauro Vieira afirmou que um encontro desse tipo em ano eleitoral poderia representar interferência indevida em assuntos internos do país. Diante disso, Moraes revogou a autorização para a visita.
Para a diplomacia brasileira, a omissão de informações relevantes no pedido de visto é motivo suficiente para sua revogação, conforme previsto na legislação.
Atualmente, Darren Beattie atua como consultor para políticas relacionadas ao Brasil e chefia o Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado. Ligado ao movimento político de Donald Trump, ele já trabalhou como redator de discursos na Casa Branca e deixou o primeiro governo do republicano após participar de um encontro associado a grupos de supremacia branca. Nos últimos anos, Beattie também fez críticas públicas ao ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de violar direitos humanos.



