Mesmo sob chuva e ventos fortes, cinco escolas de samba deram um verdadeiro espetáculo na primeira noite de desfiles do Carnaval na Passarela Nego Quirido, na sexta-feira (13). As apresentações reuniram enredos que exaltaram fé, memória, ancestralidade e a história da cultura catarinense.
A noite começou com a Unidos da Coloninha, às 21h30, e terminou já na madrugada de sábado (14), às 3h13, com a Acadêmicos do Sul da Ilha. Também passaram pela avenida a Dascuia, a Nação Guarani e a Império Vermelho e Branco.
Unidos da Coloninha abre a festa com homenagem à pesca
Decacampeã da Divisão Especial, a Unidos da Coloninha levou para a avenida o samba-enredo “Joga a rede, pescador, nas águas Santas de Catarina”. O tema destacou a pesca como elemento central da identidade local, retratando desde os pescadores artesanais até as tradições açorianas e a religiosidade que envolve o ofício.
Com 23 alas, a escola apresentou um desfile marcado pela devoção e pela valorização das raízes culturais da Ilha.
Dascuia celebra memória e identidade
Segunda a desfilar, a Dascuia transformou a avenida em um tributo à trajetória de Valdeonira Silva dos Anjos, homenageada pelos seus 90 anos de vida. Com cerca de 1,7 mil integrantes distribuídos em 16 alas, dois carros alegóricos e um tripé, a verde e rosa do Morro do Céu apresentou um enredo que exaltou ancestralidade, educação e cultura popular.
Definida como uma “biblioteca viva”, Valdeonira teve sua história contada em diferentes fases, da infância ao papel como professora, artesã e liderança comunitária.
Nação Guarani leva nostalgia à avenida
Única representante de Palhoça na noite, a Nação Guarani iniciou seu desfile à 0h26 com o enredo “Nostalgia: a batida do tempo que faz o coração sambar”. A escola promoveu uma viagem pelas fases da vida — infância, juventude e maturidade — conectando gerações por meio da memória afetiva do Carnaval.
Com 1,4 mil integrantes em 16 alas, a agremiação apostou na emoção e na lembrança dos antigos carnavais da capital.
Império Vermelho e Branco exalta Xangô
Já na madrugada de sábado, a Império Vermelho e Branco levou à passarela o enredo “Oju Obá – Sob os Olhos do Rei”. Em um cortejo dedicado a Xangô, orixá da justiça, do fogo e dos trovões, a escola destacou a força da ancestralidade africana.
Com cerca de 1,5 mil componentes, o desfile apresentou referências a reinos africanos e reforçou a justiça como eixo simbólico da narrativa.
Acadêmicos do Sul da Ilha encerra com tributo centenário
Fechando a primeira noite de desfiles, a Acadêmicos do Sul da Ilha homenageou os 100 anos do Lira Tênis Clube com o enredo “O baile dos 100 Carnavais: o Lira é o Rei da Folia!”.
Com 1,6 mil integrantes, a escola celebrou o passado, o presente e o futuro de um dos clubes mais tradicionais da cidade, encerrando a noite com um convite à celebração da história carnavalesca de Florianópolis.


